Teatro, por Claudia Chaves:
“Protocolo botão vermelho: uma farsa genocida” — quando o rei é o bobo

Já houve um momento em que o Brasil foi um país risonho e franco, onde, além dos sabiás, inventava-se a Bossa Nova, construía-se uma Capital… e havia a chanchada, filmes em que o humor predominava e, de uma forma, meio circense: dois atores, Oscarito e Grande Otelo, não deixavam pedra sobre pedra. Nessa tradição, herdada da “commedia dell’arte”, inscreve-se “Protocolo Botão Vermelho: uma farsa genocida”.

O trabalho, de excelentes resultados, com os atores Thelmo Fernandes e Cláudio Gabriel, direção e texto de Lindemberg Monteiro, realiza, com eficiência, o aproveitamento da plataforma de videoconferência. Em tempo real, apresenta o diálogo entre um ditador ameaçado de ser deposto e um sargento encarregado de apertar o tal do botão vermelho.

A tônica escolhida é a carnavalização. Tudo é paródia, tudo é inversão, com ares de pantomima. Aos elementos de atualidade misturam-se os elementos da Guerra Fria, tão em moda, como a estapafúrdia ameaça do Comunismo. No entanto, também tem aplicativo de entrega, o estereótipo do sargento estúpido, que é o duplo de um rei completamente ditador de opereta.

Está tudo lá: quiproquós, figurinos exageradamente ridicularizados, interpretações muito boas, mas caricatas e careteiras. como o gênero exige. Também apresentam uma integração da linguagem visual, focada no close-up, como deve ser. A crítica ao poder, ao status quo, a valores condenáveis, como o nepotismo, viram, no corpo e na voz de Thelmo Fernandes e Cláudio Gabriel, um alento em tempos tão difíceis.

Serviço:

Apresentações às sextas, sábados e domingos, às 20h.

Ingressos : site www.sympla.com.br/protocolobotaovermelho